| Artigo – A importância de brincar |
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Artigo da psicóloga e neuropsicóloga Mara Cristiane Rodrigues Aguila, de Curitiba, mostra a importância do brincar...
AS FÉRIAS E A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR Mara Cristiane R. Aguila A tecnologia reina em nossas vidas. O modelo de celular mais avançado, o notebook que permite o acesso à rede mundial em qualquer lugar, a sala de aula com quadro virtual, a casa inteligente onde por meio de sensores pode-se ligar e desligar aparelhos sem a necessidade de qualquer esforço físico, como por exemplo, estender o braço para alcançar o interruptor. Casa do futuro como no desenho dos Jetsons (quem se lembra de toda tecnologia presente nesta família do futuro)?... Vida virtual?... Amizades e relacionamentos sociais irreais?... Tudo isto é a nossa realidade. Nossas crianças e adolescentes hoje não querem mais brincar de pipa. O carrinho e o caminhão, a boneca com os móveis de madeira da casinha, as roupinhas para trocar o “bebê”, a bola de capotão, o peão. Hoje, o objeto de desejo para muitos é o notebook, com os jogos de personagens e atividades relacionadas aos mesmos. Outro objeto desejado é o videogame de última geração, onde basta mover os dedinhos, sentados confortavelmente no sofá para que a brincadeira virtual e a projeção da vida toda ocorram. E agora ainda há os videogames que simulam movimentos, onde a criança é o próprio avatar. É a tecnologia substituindo a vida real pela virtual. O brincar é parte importante no desenvolvimento da criança. Da fase do nascimento aos 6/8 anos de idade nossas funções cerebrais estão se desenvolvendo com toda a sua capacidade. É necessário, portanto, que estímulos diversos estejam frequentemente presentes, bem como as atividades psicomotoras envolvidas neste momento de evolução. Distanciar completamente o jovem desta realidade não é a solução. Cada tipo de brincar cumpre sua função, porém, nem tanto o céu nem tanto à terra... Só para citar um exemplo? Hoje, muitas de nossas crianças não gostam de escrever, daí um grande ponto de desacordo nas escolas e a adaptação de sistemas de ensino, onde em muitas se escreve o mínimo possível. Onde reina o preenchimento de lacunas, o “marcar a alternativa correta”. A criação literária agora brota dos computadores, crianças e adolescentes que preferem a informática aos esportes, o videogame ao skate, os notebooks de personagens famosos e brinquedos baseados em desenhos e filmes à brincadeira do faz-de-conta. A função do brincar, do faz-de-conta, no desenvolvimento psíquico é a elaboração de conflitos, o exercício de dúvidas, medos, sentimentos que ocorrem com o controle da criança à brincadeira enquanto ela formula hipóteses sobre questões de sua própria vida, no exercício prático durante a brincadeira, na simulação de suas ideias. Além deste processo, há também a participação e a aprendizagem de jogos sociais, o exercício de normas e regras, além do desenvolvimento da psicomotricidade em si, com a prática de atividades físicas, isto só para citar os benefícios básicos desta prática. E, para concluir, o mundo hoje é tecnológico. Não podemos negar isto. É fator importante para o sucesso profissional, a inclusão social, a facilitação das comunicações, a aproximação com o mundo, temos que preparar nossas crianças e adolescentes para esta realidade. Porém, há que se saber que uma escolha não precisa necessariamente excluir a outra. Então, que tal nestas férias atender o desejo de seu (sua) filho (a) com aquele brinquedo tão desejado, afinal cada um cumpre o seu papel de forma diferenciada e sempre supervisionada e dosada. Mas, participe, e não deixe de compartilhar e apresentar outros bons momentos também, brincando junto, fazendo uma boa caminhada, jogando bola, brincando de casinha, escolinha, jogando um bom jogo de tabuleiro, soltando pipa, enfim, tenho certeza de que sua criança estará muito feliz com a sua presença, seu carinho e participação. E você também, certamente, poderá desfrutar com prazer destas atividades. Demonstre que o contato humano é o bem mais precioso. Portanto, aproveite as férias e brinque Mara Cristiane R. Aguila é psicóloga/neuropsicóloga em Curitiba. |